Leonardo Bernardes

Sou graduado em Filosofia pela Universidade Federal da Bahia (2008), onde também obtive o título de Mestre em Filosofia (2011). Concluí minha graduação com um trabalho que se ocupava da relação entre o pensamento de Marcuse, de extração marxista, e uma certa herança psicanalítica. No mestrado minhas preocupações mudaram. Por influência de amigos comecei a estudar Wittgenstein e entrei para o grupo de pesquisa Empirismo, Fenomelogia e Gramática, dirigido pelo professor João Carlos Salles. A "Autonomia de Gramática nas Investigações Filosóficas" tornou-se então meu objeto de pesquisa e assim passei estudar o modo como o pensamento de Wittgenstein concilia uma filosofia declaradamente ateorética a considerações e interesses por fatos naturais que tem claro papel lógico. Desse campo de tensão se formou o que foi o objeto de minha pesquisa no doutorado. Fiz meu doutorado na Universidad Autónoma de Madrid (2017), estudando a "Correspondencia entre fatos e conceitos", isto é, o modo como os fatos naturais são integrados ao campo de determinação do sentido, concorrendo para determinar o que Wittgenstein chama de padrões de medida (elementos linguísticos com função normativa) sem que isso implicasse a abolição da lógica.

Essas preocupações tem determinado minha tendência a enfatizar a força da pragmática (o que eu chamo de primado da prática), o deslocamento do generalidade a um lugar subordinado à dinâmica do particular (o que introduz uma perspectiva genealógica, histórica, nas considerações sobre a normatividade das camadas mais gerais da linguagem) e o modo singular com que Wittgenstein passa a considerar a lógica e suas pretensões de unidade e formalidade. Esses elementos formam parte do quadro de questões com que tenho me ocupado, tendo em vista projetos de pesquisa.